Aí você se entrega de corpo, alma e coração. Você estuda, pesquisa e passa noites em claro. Você procura por médicos, terapeutas, medicamentos e tratamentos alternativos. Você para de trabalhar e volta para a faculdade para estudar psicologia para melhor poder assistir seu filho. Reuniões e mais reuniões com a escola. Inúmeros atendimentos com psiquiatra, terapeuta, TO, psicopedagoga, fono. TUDO que seja possível para ajudar seu filho. Ele tem dupla excepcionalidade, é autista de alto funcionamento e tem altas habilidades. Ele precisa de adaptações escolares. A demanda escolar é demais para ele. Ficar em sala sentado por 5 horas é demais para ele. Lidar com a frustração é demais para ele. Precisa de um tutor por questões comportamentais, porque ele fica agressivo quando entra em crise. Tudo isso acontece desde 2015. A luta e grande! Muito choro, desespero e falta de esperança.

Mas também muitas conquistas e avanços. Altos e baixos, assim é a nossa vida. Já tivemos anos ótimos e anos difíceis. Principalmente na escola, é lá que tudo acontece. Estamos em um ano de “baixos”. Aí você recebe uma ligação da diretora da escola em uma segunda-feira à noite, por volta das 20h, pedindo sua autorização para convocar os pais dos colegas de sala do seu filho para explicar o funcionamento dele, que as crises não são do nada, que existem gatilhos e que precisamos da empatia de todos para conseguir ajudá-lo da melhor maneira possível. Você pensa:” puxa que atitude louvável”. Você liga para seus familiares contando que a escola está do seu lado, vamos conseguir!! Na quarta-feira a reunião é realizada. Você acha melhor não participar, afinal, melhor deixá-los a vontade para que todos possam expressar suas preocupações e a equipe da escola possa sanar as dúvidas e acolher. Na sexta-feira você e seu marido vão a uma reunião com a equipe pedagógica. Diretora, gestora, psicólogo e coordenadora de inclusão. Eles têm uma proposta pra você. Uma ata já redigida com solicitação de afastamento do seu filho até que seja emitido um laudo médico atestando que ele tem plenas condições mentais de frequentar o ambiente escolar. Ele nunca estará em plenas condições mentais, ele é autista!!!!! Precisa de apoio e mediação. 

O que não é informado para os pais que devem estar pressionando a escola por providências é que em algumas das crises o tutor estava “no banheiro”, mesmo quando a psiquiatra emitiu uma carta solicitando que seu filho não ficasse desassistido em um local que é tão hostil para ele. Que os colegas o provocam, fazem piadas, dão risadas, ridicularizam e quando ele reage o problema é só ele. Que os professores despreparados não respeitam seus limites e particularidades e desencadeiam a tal crise. Que marginalizam a criança dizendo que ele tem como alvo professoras mulheres e meninas. Que a professora é inadequada que além de eliciar uma crise no menino, ainda fez enfrentamento fazendo com que a crise fosse estendida em duração e intensidade. Foi atingida com um chute e se recusa a dar aula para a turma dele. Isso é discriminação!! E a escola é conivente.

Não informam e valorizam que meu filho apesar de tudo em sua ingenuidade e inocência gosta da escola e quer ser parte desse ambiente. 

Não é difícil perder a fé na humanidade.

O que nos dá força para seguir em frente é nosso próprio filho, que é maravilhoso, amável, puro coração. 

Que não tolera injustiças, que não consegue ver um pedinte com fome, entrega seu dinheiro e sua comida.

Um menino que diz que seu objetivo na vida é ajudar os que mais precisam.

Isso sim vale a pena!

Pais e mães de crianças com necessidades especiais, não sejam ingênuos como eu fui, estejam presentes em tudo que diz respeito ao seu filho dentro da escola. Fica meu relato, espero que possa ajudar alguém que passa por situação semelhante.

MERY ELLEN G G HIDALGO DE MATOS