Após o episódio relatado pela minha esposa, a primeira reação que tivemos na reunião foi de indignação, repudio, mas nos fizemos ouvir. No segundo momento, o pensamento foi de que iríamos tira-lo de imediato da escola, e pensamos: era aí  que eles, de novo, queriam colocar mais uma família em uma situação de constrangimento, para então retirar a criança da escola –  e sabe-se lá quantas vezes já teriam feito o mesmo com outras famílias,  que simplesmente mudaram a criança da escola, simplesmente aceitaram. E depois de irmos até o conselho tutelar, aconselhar com amigos e profissionais de vários setores, decidimos contratar uma advogada especialista e tomar duas grandes decisões: enfrentar e mostrar a irracionalidade daquilo tudo e buscar responsabilizar as pessoas que causaram aquilo, e causam essas situações diariamente, contrárias aquilo que se propuseram enquanto profissionais.

Alguns amigos, nos questionaram se valeria a pena expor a família, expor nosso filho. Sim, não é fácil nos expormos assim, custa tempo, custa dinheiro, custa o corpo, custa a alma, mas se alguém não o fizer quem o fará e quando? E até lá quantos serão os excluídos, quantos serão os desassistidos, quantos serão os traumatizados? Nosso intuito é fazer com que a escola tome atitude, que mude de atitude, que mude as pessoas, que trate o caso com firmeza, que cause a mudança, que seja exemplo, assim como o é em outros campos em que atua, a busca pela excelência deve ser plena, irrestrita e continua. Mas claro que estão perdendo a essa oportunidade.

Não queremos pena do nosso filho e de seus pares, não queremos aceitação pela obrigação, queremos respeito, somente isso, respeito! O direito dele é o mesmo de que qualquer criança, com síndrome ou não, doente ou não, capaz ou não, sem importar a crença, a cor e a posição social.

É nesse ponto que iremos nos apoiar especificamente, até onde der e até onde Deus permitir, tentaremos fazer a mudança, focando na inclusão escolar!

O nosso filho sabe o que está acontecendo, claro!! Mas não quer aparecer, não quer que saibam que é com  ele, tamanho o impacto das ações do ambiente escolar, criado não pelos seus colegas somente, mas principalmente pela escola e seus dirigentes, professores e pelos pais dos demais colegas que tem seus filhos excluídos da oportunidade de aprender desde cedo a conviver com a diferença aos demais colegas e ao meio, esses sim, pagarão a conta que os pais estão lhe faltando: excluindo-os da oportunidade de serem melhores, serem humanos.

Hoje (02/10/2019) passados quase 10 dias, entendemos que não se trata de “ele ir pra escola”, mas se trata de que “elesiraopraescola” e que “todosiraopraescola”.

Essa tentativa de exclusão, tomou força, não é mais sobre nós, é sobre todos os que passaram por isso, e se vierem a passar, terão um lugar onde buscar força , um lugar para se fazer ouvir, um lugar para se apoiar, ter informação e tomar atitude, pois no final do dia não se trata da escola, se trata somente deles.

Ah, e no final daquela reunião com a Diretora, Psicólogo, Pedagoga e pessoa responsável pela inclusão escolar, isso mesmo inclusão escolar, que também assinou o pedido para que ele ficasse em casa, dissemos uma frase que veio do coração, da forma mais límpida possível, que posteriormente tomou força em nossa mente e nos deu força para dizer: “tenham certeza de que o tutor estará esperando  o nosso filho na segunda-feira na entrada da aula, porque ele vai para escola!

*em nenhum dia, pensamos em não leva-lo para a escola. Atualmente (nov/2019) toda a campanha está sendo realizada com recursos próprios, as ações de rua, outdoors, profissionais e etc, e também com apoio e patrocínio de algumas empresas, mídia, canais, grupos e redes sociais,  que se sentiram sensíveis à   causa e tornaram-se parceiras da inclusão social.  Estamos viabilizando um instituto com outras entidades para criar força, que com o ou sem nós terá continuidade sempre*

RODRIGO A MATOS